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Você está preparado para ser voluntário ou vítima na próxima enchente?

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As manifestações da natureza podem ser poderosas e diante delas sentimo-nos, muitas vezes, totalmente impotentes e incapazes. Mas igualmente impotente e incapaz é a natureza diante do vulto e violência de nossas agressões.

--Lauro Bacca. Naturalista e ecólogo.

 
T ragédias socioclimáticas voltam quando as esquecemos. Todos nós precisamos estar preparados. É preciso promover regularmente, com eficiência e eficácia, ações pela cultura da percepção de risco e de prevenção de desastres.

Conforme bem nos alertou o naturalista e ecólogo Lauro Bacca em sua coluna de 2 de abril de 2014, no Jornal de Santa Catarina - 2008 não foi surpresa. "Ocupamos mal os espaços urbanos e rurais, desmatamos, escavamos, aterramos margens e baixadas, retificamos e estrangulamos rios, ainda caçamos e botamos fé cega nas barragens e outras obras estruturais. Somos, portanto, partícipes e corresponsáveis pelo que tem acontecido e continua acontecendo. As manifestações da natureza podem ser poderosas e diante delas sentimo-nos, muitas vezes, totalmente impotentes e incapazes. Mas igualmente impotente e incapaz é a natureza diante do vulto e violência de nossas agressões".

No estudo Proposta de um Programa de Treinamento de Desastres Naturais Considerando o Perfil das Vítimas, os autores: Irineu de Brito Junior, Carlos Henrique Viegas de Rosi, Priscilla Vieira Carneiro, Adriana Leiras e Hugo Tsugunobu Yoshida Yoshizaki, destacam que "todo ano, milhões de pessoas são afetadas por desastres causados pelo homem (por exemplo, guerras, conflitos, crise de refugiados) ou por motivos naturais (por exemplo, inundações, seca, terremotos, furacões, fome), os quais resultam em crises humanitárias. Estimativas projetam que, nos próximos 50 anos, o número e a severidade dos desastres aumentarão cinco vezes (THOMAS; KOPCZAK, 2005)".


 
W est e Orr (2007) afirmam que não se possui conhecimento suficiente sobre como as pessoas percebem sua vulnerabilidade e o que afeta a sua motivação para evacuação em casos de desastre. Não é óbvio o que influencia a percepção de vulnerabilidade, como os cidadãos julgam as diversas fontes de informação governamentais e não-governamentais. Os autores observaram que as mulheres e grupos minoritários são mais propensos a evacuação se recomendado pelo governo ou mídia. Algumas das maiores fatalidades ocorreram quando as pessoas desconsideraram as recomendações oficiais para abandono de local.

A mídia possui um papel crítico em respostas operacionais, pois é a fonte de informação preferencial do público em geral. O foco da mídia deve ser em histórias de sobreviventes (CHO; GOWER, 2006; NEUMAN et al., 1992), e em abordagens construtivas que ajudam as pessoas a entender o peso emocional de um desastre e, assim, motivar o público a agir preventivamente.

Comparando o papel dos jornalistas e das fontes oficiais de informação, Abdolrasulnia et al. (2007) afirmam que perspectivas e processos organizacionais frequentemente limitam a comunicação efetiva entre esses grupos. Esses autores sugerem o envolvimento dos jornalistas em organizações humanitárias por meio de participações em treinos e reuniões, compartilhando informações, para sua melhor disseminação. Merchant et al. (2011) mencionam o uso das mídias sociais para divulgar e compartilhar informações sobre saúde em situações de desastre. De fato, qualquer tipo de demanda e oferta pode ser impulsionado pelas mídias sociais, auxiliando vítimas e as organizações humanitárias a agir com mais eficiência durante desastres.

Você está preparado para ser voluntário ou vítima quando a próxima tragédia socioclimática se abater sobre a cidade onde você mora ou sobre o lugar onde você está de passagem?

Fonte de consulta:

1. Jornal de Santa Catarina. Edição de 2 de abril de 2014. Coluna semanal do naturalista e enólogo Lauro Bacca.

2.BRITO JUNIOR, Irineu de et al. Proposal of a natural disaster training program by considering the previous victims' profile. Ambient. soc. [online]. 2014, vol.17, n.4 [citado 2017-03-16], pp.153-176. Disponível em: ISSN 1809-4422. http://dx.doi.org/10.1590/1809-4422ASOC1092V1742014.

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