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Desastre : a morte estava a caminho, num cavalo terrível

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Desastre : A Morte estava a caminho, num cavalo terrível


V ocê já deve ter ouvido e lido muitas explicações e justificativas sobre as razões que levaram determinadas pessoas a fazer algo inusitado em prol dos outros e obtendo sucesso na empreitada são chamadas a justificá-las. Dos muitos exemplos de justificativas e ensinamentos a partir dessas experiências, creio que a mais sintética e esclarecedora está na famosa explicação da Madre Teresa de Calcutá: "Sei que meu trabalho é uma gota no oceano, mas sem ele, o oceano seria menor".

E nessa linha de pensamento poderíamos listar dezenas de justificativas.

Num determinado dia, há muitos anos, eu me deparei com o texto abaixo e confesso que na mesma linha de reflexão acima, para mim ele sempre calou muito fundo. Eu acredito que o autor da crônica é o J.M.Simmel, mas, sem sucesso, tenho procurado o texto e referências sobre o livro de onde um dia o copiei integralmente e que está publicado numa postagem no Blog da Rede Social Arca de Noé.

"Na Itália desabou uma tempestade terrível. Cidades inundadas, pessoas afogadas, casas destruídas. Milhares de refugiados. Sem dinheiro, sem roupas, sem nada para comer.

Na noite de terça um radioamador francês convocou seus colegas europeus para uma emissão em cadeia. Uma emissão dessas é algo difícil. Mas em uma hora estava feita. De repente não havia mais fronteiras (ou quase não havia mais fronteiras) na Europa. De repente a Rádio Mônaco falava ao lado da Rádio Moscou, e a Rádio Viena ao lado da Rádio Bruxelas, e a Rádio Beromunster junto da Rádio Varsóvia. Ouvia-se uma porção de línguas estranhas, mas naquela noite todos as entendiam.

Homens grandes e famosos, e homens pequenos e anônimos, falavam. Com vozes claras ou profundas. Depressa e devagar. E todos disseram a mesma coisa. Prometeram o mesmo: fraternidade, disposição de ajudar o continente. Pois mais uma vez acontecera uma desgraça, vidas humanas corriam grande perigo, a morte estava a caminho, num cavalo terrível.

E mais uma vez milhões se levantaram, esquecendo nacionalidade e política, ou aversões pessoais contra Jesus Cristo, bicicleta ou espinafre com ovos. De repente eram todos irmãos, querendo amparar e ajudar uns aos outros, porque sabiam que, do contrário, o diabo os levaria a todos."

Para que você não fique com uma visão errada do J.M.Simmel, entenda como ele define a missão do escritor com suas próprias palavras: "O primeiro dever do escritor, portanto, é desvendar o sentido que se oculta sob a atordoante sucessão de acontecimentos de nosso mundo. E, sobretudo, mergulhado tanto no feio quanto no belo, no alegre e no triste, impedir que se destrua a crença no ser humano".

„O primeiro dever do escritor, portanto, é desvendar o sentido que se oculta sob a atordoante sucessão de acontecimentos de nosso mundo. E, sobretudo, mergulhado tanto no feio quanto no belo, no alegre e no triste, impedir que se destrua a crença no ser humano.” --J.M.Simmel

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